EM BUSCA DE PILÃO ARCADO

novembro 2, 2015

Cesar Fernando de Oliveira & Héwelin Fernandes, 52min, HD, Doc, 2014, Brasil (BA).

A estrada, o vento, o tempo, o rio e o encontro com a cidade de Pilão Arcado. Um diário de bordo filmado até Pilão Arcado, em busca de uma cidade alagada encontramos luta pela resistência, memórias, música e fé.

Produção e entrevistas
HÉWELIN FERNANDES

Som, camera, fotografia e montagem
CESAR FERNANDO DE OLIVEIRA

facebook.com/embuscadepilaoarcado

Tudo começou em 2009, quando iniciamos a pesquisa para o argumento de um filme: Pilão Arcado. Em 2010 ganhamos o edital para desenvolver um roteiro de longa-metragem de ficção. Para terminar de escrever o roteiro viajamos nos fins de 2010 para a cidade de Pilão Arcado, logo depois o primeiro tratamento do roteiro estava pronto.
Pilão Arcado foi uma das cinco cidades (em conjunto com Remanso, Casa Nova, Sento Sé e Sobradinho) inundadas devido a construção da Usina Hidrelétrica de Sobradinho. Pilão Arcado, hoje chamada de Pilão Arcado Velho, foi a única cidade que não alagou totalmente. Sobrevivendo, ilhada, no Rio São Francisco.

Entre 2011 e 2012 iniciamos a decupagem do material que capturamos na viagem. Descobrimos uma pedra bruta a ser lapidada. Daí surgiu a ideia de “Em busca de Pilão arcado”, como um “diário de bordo”. Em busca do fim de um filme encontramos luta pela resistência, memórias, música e fé. Essa busca gerou um novo filme, um filme em busca de uma cidade.

SEARCHING FOR PILÃO ARCADO

A film by Cesar Fernando de Oliveira & Héwelin Fernandes, 52min, HD, 2014, Brazil (BA).

The road, the wind, the time, the river and the meeting with the town of Pilao Arcado. Seeking for a flooded town, we found struggle for resistance, memories, music and faith.

Production and interviews
HÉWELIN FERNANDES

Sound, camera, cinematography and editing
CESAR FERNANDO DE OLIVEIRA

Pilão Arcado was one of five towns (along with Remanso, Casa Nova, Sento Sé and Sobradinho) flooded due to dam construction Sobradinho’s hydroelectric power station, between 1973 and 1979. Only Pilão Arcado, now called Old Pilão Arcado, was not completely flooded. It survives, islanded, in the São Francisco River.

Tapeçaria documental

junho 3, 2015

 

cinza

Sinais de Cinza, A peleja de Olney contra o Dragão da Maldade

Henrique Dantas. Cor, digital, 86′. Brasil – 2013

 

Peleja: s.f. Luta; combate realizado com ou sem armamentos.Trabalho; tarefa árdua e cansativa: estava na peleja para viver.

A única vez em que tive a sorte de cruzar com Orson Welles, no Festival de Cannes nos anos 70, logo que me identifiquei como cineasta brasileiro, o gênio norte-americano perguntou sobre Olney São Paulo. Fiquei surpreso. Ele justificou sua curiosidade dizendo que vira o “extraordinário” “Manhã Cinzenta'”. – Orlando Senna

“Olney é a Metáfora de uma Alegorya. Retirante dos sertões para o litoral – o cineasta foi perseguido, preso e torturado. A Embrafilme não o ajudou, transformando-o no símbolo do censurado e reprimido. “Manhã Cinzenta” é o grande filmexplosão de 1968 (…) Panfleto bárbaro e sofisticado, revolucionário a ponto de provocar prisão, tortura e iniciativa mortal no corpo do Artysta.”. – Glauber Rocha

 

Por Cesar Fernando de Oliveira

          De uma beleza rara esse filme do Henrique Dantas, além de extremamente necessário e pungente. Assisti no Festival Cinefuturo e ao término da exibição senti uma estranha sensação, como saído de uma sessão de terapia, ou de descarrego – contra o Dragão da Maldade – É como se o filme expurgasse algo, a experiência cinematográfica tem dessas alegrias. E lágrimas, já que desabei no banheiro do foyer do TCA (Teatro Castro Alves), onde o filme foi exibido. Veio como um raio, uma mistura de gosto amargo e sensação desagradável. Quanto sofrimento passou o Olney e sua família, o filme me fez sentir a doçura daquele homem, mas também a dor pelo que ele passou. No livro “A necessidade da Arte”, Ernst Fischer discorre sobre as diversas razões para a criação e fruição artística, chegando a definir a arte como o desejo de completar a incompletude da existência humana. Olney necessitava da arte para viver e foi tolhido por se expressar livremente, ele pode não ter sido morto pela ditadura militar brasileira, mas fisicamente ou psicologicamente ele foi assassinado por ela, como afirma um dos entrevistados.

          O filme começa, não vemos fotos, nem textos sobre Olney, somente imagens riscadas, mofadas, fragmentos dominam a tela. Nuvens cinzentas, a tentativa de respirar sem encontrar ar, duplicações imagéticas do sertão, mandacarus, espinhos. O cinza caminha e vai penetrando em tudo, como uma maldição, um câncer… Até começarmos a ouvir um depoimento, logo depois vemos a imagem de uma pessoa, não há sincronismo entre imagem e som. Há um silencio nas imagens, enquanto o som, através das vozes vagando pela superfície da tela, faz o trabalho enunciativo – Michel Chion chama isso de “presença acusmática” – Logo depois créditos são inseridos nas imagens, identificando os entrevistados, o som agora sincronizado desacusmatiza as vozes. Com o decorrer das entrevistas o espectador vai montando a tapeçaria documental, quem era Olney, onde nasceu, quais eram seus desejos e paixões… Vamos construindo o ser através da combinação de imagens oníricas e depoimentos. Olney Alberto São Paulo, filho, irmão, amigo, amante, pai, cineasta, poeta, baiano de Riachão do Jacuípe, sertanejo, pelejador.

          Da mesma forma que o sertão foi a base para a maioria de seus filmes, esses últimos iluminaram e continuam iluminando o sertão. “Sinais de Cinza” ressignifica as obras de Olney, projetando-as em paredes de casas de taipa, no barro, em portas, grades, janelas, em candeeiros. Criando uma simbiose ímpar, onde a matéria prima e as obras se mesclam – sendo que no meio temos a dor –  Da tortura, da cadeira com cordas, dos porões, da água gelada, do esquecimento. Foram 14 filmes entre curtas e longas produzidos por Olney São Paulo, e nenhum deles foi restaurado até o término do documentário. Sendo que o filme que o consagrou/assassinou possui 22 minutos, demonstrando que obras-primas não possuem tamanho e que a intolerância sem medida é inimiga da alteridade e da liberdade.

          Olney São Paulo buscava não somente contar as histórias mas também experimentar e tensionar a linguagem cinematográfica, Henrique também faz isso em seu filme. “Sinais de Cinza” não é somente um filme sobre um homem e sua peleja, é documento, é denúncia, é história, é ensaio, é poesia, é cinema, é saudade.

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Assistam o trailer:

Praia do Futuro

maio 25, 2014

praia-do-futuro

 

 

viver é como pilotar uma moto em campo aberto ou numa rodovia com neblina. pode ser divertido, se não há nada a temer, mas também paralisante, se houver medo em tudo.

o mar, o choro, a chuva, o suor, o gozo… a mesma água que mata é a que liberta.

um filme sobre seres humanos, sobre sermos humanos, e nossa busca incessante, por amor, por liberdade, por nós mesmos.

maio 14, 2014

 

Sapecoti

maio 14, 2014

sapecoti
Sapecoti
Sobe na estante
Pega um pote, pega dois e doravante
Lá vai ela!
Abre porta, pula janela
Olha a quina!
Ela é muito traquina
Sapecoti
Pega um pote, pega dois e doravante
No cachorro ela monta como um touro
Corre atrás do gato, puxa o rabo
Nada há de lhe dar cabo!
Trepa em árvore, enverga galho
O que tem de geniosa
Tem também de carinhosa
Sapecoti
Pega um pote, pega dois e doravante…
Cesar Fernando de Oliveira.

Pipo foi “batizado” logo que chegou, transformando em extraordinária uma tarde habitual das meninas. Nena foi a primeira a avistá-lo, o que significou sua sobrevivência, já que numa casa com dois gatos, um pequeno pássaro transforma-se rapidamente em sobremesa. 

Popó, é como Nena nos seus quase dois anos chama toda ave que encontra, ela gritava e apontava para debaixo da estante da cozinha. Ceci, já com quase oito, astuta que só, percebeu a aflição da irmã e correu para ver o que se passava. Pipo, estava assustado e visivelmente machucado nas patas e em uma das asas, mal conseguia ficar de pé. Ceci conseguiu pegá-lo, afastando-o da curiosidade dos gatos, que já se aproximavam. Ela improvisou uma casinha numa garrafa plástica cortada, deu-lhe água e mamão, sob o olhar atento de Nena.

Quatro anos antes, morávamos em uma casa e Ceci encontrou um outro pássaro, bem pequenino caído no jardim, muito debilitado, possivelmente de um dos ninhos de uma árvore próxima. Como não tínhamos onde colocá-lo e já criávamos um dos gatos, compramos uma gaiola. Tentamos dar água e comida para depois soltá-lo mas ele não resistiu, foi a primeira experiência de Ceci com a morte. Fizemos o enterro no jardim. Não tínhamos o que fazer com a gaiola, dessa forma customizamos com algumas fitas coloridas, laços, e pássaros de madeira. Uma forma de recordação.

No encontro com Pipo, Ceci não lembrou da gaiola, já tinha improvisado uma “caminha” na garrafa plástica, para ela assim ele já estava protegido. Percebemos que com a pata machucada e sem conseguir voar seria presa fácil para os gatos, lembramos da gaiola e o colocamos lá, com água a disposição, penduramos na janela do quarto das meninas. Pipo, diferente do primeiro pássaro mostrava-se forte e mais disposto.

Ceci e Nena entenderam a necessidade da gaiola e trataram de enfeitá-la ainda mais, até pintando as grades com batons para deixá-la com menos cara de prisão. Compramos alpiste e um potinho para água, quando podia Ceci sempre o acariciava, dava comida direto na boca e ele ficava tranquilo em suas mãos, Nena observava tudo.

Com os dias Pipo foi melhorando, tentava saídas da gaiola e já piava, colocando a cabeça entre as grades, o que o deixou com a papada vermelha devido os batons de Ceci. Depois de quatro dias, ele já ensaiava pequenos vôos, o tirávamos da gaiola, soltávamos no quarto e observávamos. Não voava tão alto e ainda se atrapalhava para pousar, percebemos que a patinha não estava firme. Dessa forma precisava de mais um tempo de cuidados.

Depois de uma semana ele voou longamente por todo o quarto e foi em direção da janela, mas não saiu. Devido a altura do prédio conversamos com Ceci que o levaríamos com a gaiola para o nível do chão e o soltaríamos, para ele tentar voar sem perigo, mas ela não aceitou. Achou que se ele não saiu era porque não queria ir embora. Não quis participar dessa “soltura” e mal quis se despedir, com os olhos marejados.

Desci com Nena e curiosamente quando soltamos Pipo em ambiente aberto ele não conseguiu voar, somente caminhava de forma cambaleante. Seria devorado facilmente por gatos ou até por ratos. Trouxemos então ele de volta para casa, Ceci enxugou as lágrimas e o recebeu com carinho. No mesmo dia, a tarde, Ceci o soltou no quarto, ele voou livremente e saiu pela janela em direção de uma árvore. Ela olhou pela janela, surpresa, mas feliz. Orgulhosa, avisou para todos nós.

Na manhã do dia seguinte, entrando no prédio, ouvi um piado igual ao de Pipo, olhei ao redor e avistei um pássaro parecido. Ele voou para dentro do prédio e pude ver de perto, a papada vermelha manchada do batom de Ceci, demonstrava que era ele, andou na mureta de madeira, uma das patas ainda em falso, mas voou novamente, retornando para a árvore. Cecília ficou em êxtase quando contei a ela. Tentamos outras vezes encontrá-lo, mas nada.

Hoje completa uma semana que Ceci foi passar o carnaval viajando com o avô, falei com ela pela manhã, felicíssima com as andanças, volta logo mais.

09/03/14

César Fernando de Oliveira

Ninando com Strauss

janeiro 31, 2014

Luz do sol sobre a varanda
Muitos livros na estante
Som de Strauss preenche a sala
Num ninar que é quase dança

Em meu colo, um abraço
Onde é pura simbiose
Numa luta permanente
Contra o sono não se abate

Um brinquedo a desperta
E nem a música a inebria
Sai do braço num só salto
– Venha vida, toda minha

Descansar é para quem já conhece o mundo…

Cesar Fernando de Oliveira
19-01-2014

janeiro 21, 2014

café
caído
ao chão
cor
ação

(e estrela).

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Eisenstein

julho 10, 2013

Tomba di Eisenstein – Fotografia de Mosteiro e Cemitério de Novodevichy (Nova Dama), Moscou
Essa foto de Mosteiro e Cemitério de Novodevichy (Nova Dama) é cortesia do TripAdvisor

Vida

maio 9, 2013

Insisto em preencher com amor as páginas em branco da vida.