Eu, Você e Todos Nós
Abril 28, 2007
No Século Passado
Maio 17, 2006

M&M’s no “Pessoas do Século Passado”
..::Sutil Companhia::..
Setembro 23, 2005

10 anos
Tenho acompanhado o site de uma Companhia de Teatro que me encantou desde a primeira vez que visitei há um tempo (pena que ainda não pude assistir nenhuma montagem deles). Grupo originário de Curitiba, A Sutil Companhia de Teatro executa na maioria das vezes peças com textos próprios ou de autores ingleses contemporâneos e possui uma galera jovem e muito talentosa na direção. Foi pesquisando sobre autores como Harold Pinter(O Zelador) e George Walker(Zastrozzi) que acabei me deparando com esse site. Vale a pena conferir, principamente esse ano que eles completam 10 anos de formação.
www.sutilcompanhia.com.br

Cenas de Alice
A cor do Silêncio
Abril 27, 2005

Claustro do Convento de São Francisco
Óleo sobre tela, 60 X 81 cm, 1924
“Pelas frestas das portas e janelas pesadas, os raios de luz invadem o interior da igreja de uma forma sutil e educada. Por causa da luminosidade rala, uma parte da sala continua escura, mas brilham os detalhes dourados dos altares barrocos. Os homens da cena são pequeninos ante à atmosfera mística; sentados nos bancos ou caminhando pela área, ora há um religioso contemplando horizontes, ora há um velho mendigo, que espera que, pelo menos junto às portas da casa de Deus, bata um sentimento de caridade dentro dos corações dos homens. Às vezes, não há absolutamente ninguém naqueles interiores e sacristias. Apenas um silêncio maciço; Presciliano, escondido atrás dos cavaletes; e nas telas, as imagens imóveis dos santos. E os santos só podem ser vistos de forma nítida quando o observador se afasta do quadro, por uma mistura de respeito ao sagrado e milagre de tintas.
Embora seja clichê, não dá para evitar: é mesmo inútil tentar descrever, com palavras, as cenas monásticas pintadas por Presciliano Silva. Aqui, não se fala com a seca linguagem crítica, mas com o devaneio de sensações que uma obra de arte desperta. É preciso ver de perto aquelas pinturas de interiores, sentir o resquício do cheiro de tinta óleo, afastar-se da tela, para só então entender que suas imagens de igrejas, mosteiros, conventos e sacristias são a metáfora mais perfeita para a clausura melancólica da alma humana. Com seus ouvidos surdos, Presciliano foi capaz de transformar em cor todas as notas de silêncio que ecoavam de harpas metafísicas.
Que bela ironia: o menino travesso que tanto irritou os frades com suas endiabradas caricaturas feitas à carvão mais tarde pintaria todo o mistério presente nos ambientes monásticos da Bahia. Foi na pintura desses interiores que Presciliano encontrou a essência de sua arte, e avançou em relação aos outros pintores baianos da época. Através da observação de espaços sacros, surgiram telas belíssimas, pintadas com o olhar pós-impressionista, como Altar do Santíssimo, Genuflexório (1928), Abstração (1939), Interior (1943), Entrada do Claustro de São Francisco (1927), Capela do Santíssimo Sacramento da Antiga Sé, dentre muitas outras.
“Na pintura de interiores, seu trabalho se destaca muito. É importante observar como Presciliano trabalha bem com o claro-escuro nessas obras”, explica Sylvia Athaide. Católico e freqüentador de missas, Presciliano mostrou, pela primeira vez, um interior sacro em sua tela Oração da tarde, inspirada numa cena do Convento de Nossa Senhora do Carmo da Bahia. “Com esta tela de profunda reflexão da tragédia do ser e de sua fuga mística, Presciliano abre um novo capítulo desconhecido na pintura brasileira, e, nem saberíamos responder a qual outra se compara no mundo”, diz o crítico Clarival do Prado Valladares, no livro Presciliano Silva.
A partir de Oração da tarde, a temática religiosa se tornaria constante, com curiosa repetição de duas figuras humanas em várias de suas telas: um velho e um frade. Valladares tentou interpretar o porquê da repetição: “O frade seria o ego refletindo, equipado de razões lógicas para aceitar a surdez, pois com a vista ainda alcança através das vidraças, a paisagem, o dia de sol, como ele vê em Abstração. O velho seria o ego desesperançado, aceitando o conselho do frade, ou a esmola da atenção, ou sozinho, como em Última porta, com o guarda-chuva e o chapéu sentados no mesmo banco. Quando Presciliano disse, numa entrevista, que não se incomodava com a surdez, porque lhe ajudava a se concentrar melhor para a pintura, gracejando, ele apontava sua vereda de fuga”.
A surdez de Presciliano foi mesmo um mistério. Não há como saber, bem ao certo, como e quanto ela pode ter interferido na sua pintura. O fato é que, passado o susto na França, o artista sempre lidou muito bem com a deficiência. “Dizia que preferia ser surdo a ouvir certas besteiras”, lembra Maria de Nazareth Seixas, que conheceu Presciliano. Mesmo quando começou a usar aparelho auditivo, ele o desligava em homenagens e discursos longos, e nos momentos mais propícios. “Discretamente, colocava a mão no bolso e apertava o botãozinho do aparelho, quando estava enfadado da conversa”, diz Optaciano Oliveira Filho, seu amigo.
Traquinagens
Talvez por conta da surdez, ou por conta do seu jeito tranqüilo, Presciliano não fazia questão de se isolar do mundo quando pintava. Ele não sentia aquela necessidade de silêncio sepulcral, de concentração atormentada, como costuma acontecer no processo de criação de tantos artistas. “Muitas vezes, entrávamos no ateliê para dançar. Ele se divertia muito com isso”, lembra Mercedes Cunha. “Brincávamos de picula na parte mais alta da casa”, lembra a filha Maria. Por conta do corre-corre, Presciliano só ouvia os passinhos de criança no andar de cima, e assistia à chuva de pó caindo do teto do ateliê. “Ele não brigava. Só ficava preocupado com as nossas traquinagens”.
Preocupar-se, ele até se preocupava. Mas era a esposa Alice Moniz quem de fato mandava na casa. Alice era filha de Gonçalo Moniz, professor da Faculdade de Medicina. Eles se casaram em 1934, depois de um namoro de vizinhança. “Cada um ficava na janela de sua casa, tentando falar por gestos, lá na Rua do Bângala”, lembra a simpática senhora Maria José Góes Couto, que, àquela época, era uma menina. Depois de se casar, Presciliano e Alice tiveram Maria, a única filha. A família era sustentada com o orçamento das aulas de desenho na Escola Técnica e na Escola de Belas Artes, onde começou a ensinar em 1928. Também ganhava algum dinheiro com encomendas e vendas de quadros. E sua arte surgia sem maiores mistérios, misturada com as confusões do dia-a-dia.
Apesar da aparente simplicidade com que Presciliano lidava com a pintura, as etapas de criação eram realizadas com uma técnica bem cuidadosa. Primeiro, ele entrava no ateliê, com suas roupas leves e alpercatas franciscanas. Pegava a tela de linho, e esticava no cavalete. Depois, passava uma camada de gesso e cola no pano, para que a superfície se tornasse adequada para a pintura. Muitas vezes, antes de pintar na tela, Presciliano fazia vários estudos e rascunhos em papéis à parte. E quadriculava o desenho, para que, na hora de redesenhar no quadro central, as proporções fossem obedecidas. E, enfim, desenhava com carvão na tela. Quando errava, apagava com miolo de pão não dormido. Depois, vinha o spray fixador, que ficava por uns dois dias no quadro. Somente quando o spray secava, surgiam as camadas de pintura. Depois, mais fixador, e só por fim vinha o verniz. Pronto, estava terminado. Não havia uma mancha sequer de tinta nas mãos nem nos dedos de Presciliano. E, na tela, não ficava mais nenhum sinal do primeiro desenho. Mas ele sempre estava lá. Escondidos embaixo de toda pintura, havia os desenhos em carvão, a alma de todo o quadro, feita do mesmo traço escuro com que Presciliano tanto riscara calçadas.”
Texto de Luciana Barreto publicada em 09 de agosto de 2004 no Correio da Bahia.
Presciliano Silva
Abril 19, 2005

Auto-retrato
Presciliano Silva
Esse desenho foi minha primeira referência desse pintor, que a cada dia me encanta mais. O encontrei meio que por acaso, por influência de meu pai, que é muito amigo de sua única filha, Maria da Conceição Silva. Tudo indica que vai ser meu objeto de estudo a partir do mês que vem.
SILVA, Presciliano
(1883, Salvador, BA – 1965, Rio de Janeiro, RJ)
Estudou na Escola de Belas Artes da Bahia, sob a orientação de Manoel Lopes Rodrigues. Com bolsa de estudos, seguiu para Paris, onde freqüentou a Academia Julian de 1905 a 1907, tendo sido aluno de Jules Lefèbvre, Tony-Robert Fleury e Adolphe Déchenaud. Retornou à Europa posteriormente, com passagens pela França e a Bélgica (1912-1913). Foi professor de desenho da Escola Técnica de Salvador, e professor de pintura da Escola de Belas Artes da Universidade da Bahia. Participou várias vezes do Salão Nacional de Belas Artes, no qual conquistou medalha de ouro em 1940 e medalha de honra em 1947. Apresentou individuais em Salvador, Rio de Janeiro e Recife. A seu respeito, escreveu Dom Clemente da Silva Nigra: “A obra de Presciliano permanece, cabendo-lhe uma posição ímpar, ao que tudo indica, na pintura universal, como a mais significativa interpretação pictórica do interior arquitetural religioso do século XVIII remanescente em nosso país.”
Referências: Impressões de arte (1921), de Carlos Rubens; Contemporâneos: pintores e escultores (Benedicto de Souza, 1929), de Gonzaga Duque; Presciliano Silva: um estudo biográfico e crítico (1974) e Nordeste histórico e monumental (Odebrecht, v. 1 e 4, 1982 e 1991), de Clarival do Prado Valladares.

Oração da tarde,
Presciliano Silva.
Obs. No museu Carlos Costa Pinto(Corredor da Vitória- Salvador-BA) podem ser encontradas algumas de suas obras.
“A última porta”
Abril 1, 2005

A última porta,
P.S.
Estou extasiado com esse pintor, autor, mágico… Simplesmente isso.
Depois conto quem é!
