Canção de ninar
Fevereiro 7, 2009

Oh, quão de mansinho
já escura a noite vem…
Dorme, filhinho.
Estão tão cansadinhos
os olhinhos do meu bem…
Dorme, filhinho.
Fora o vento sopra forte,
a chuva está a cair,
mas o meu benzinho
não tem medo, vai dormir;
pois em sua caminha
sonha com a mãeziha
e sorri feliz.
Vai nanar, naran, naran..
Meu benzinho vai nanar
para descançar,
vai nanar, naran naran..
meu benzinho vai nanar
para descançar
uhuhuh
Oh que noite escura,
dormem todos ao redor…
Dorme, filhinho,
pois um santo anjo
vem guardar o meu amor.
Dorme, filhinho.
Brilha no infinito
uma estrelinha multicor,
uma brisa leve
traz o cheiro de uma flor,
e o meu benzinho
sonha com o paizinho
e sorri feliz.
Vai nanar, naran, naran…
Meu benzinho vai nanar
para descançar…
Vai nanar, naran, naran,
meu benzinho vai nanar
para descançar
uhuhuhuh
pom
pompom pompom
pompom pompom
pompom pompom
pompom pompom
pompom pompom
pompom pompom
pompom pompom
…
Canção que tenho cantado e que meu pai cantava pra mim quando eu era pequeno.
Hora de Rock!
Julho 20, 2006

The exploding plastic inevitable
Arte multimídia onde Andy Warhol utilizava seus filmes e a música do Velvet Underground.
Podcast do “Hora do Rock”, programa veiculado às quintas-feiras, às 21h, na rádio Globo FM (Salvador, Ba – 90,1), apresentado por Gabriela R. Almeida.
Link: horadorock.podomatic.com
Estréia especialíssima com programa sobre o Velvet Underground.
Retrofoguetes no TCA
Fevereiro 4, 2005

Foto by Nancyta
Dia 27 do mês passado teve show dos Retrofoguetes, último dia do XIII Festival de música instrumental aqui de Salvador e lotou a sala do TCA. Mas a polêmica das palavras do Zeca Freitas, um dos curadores do festival, terminou causando “frisson” após terminado o espetáculo.
Zeca, o qual já dediquei algumas linhas desse Blog é músico renomado e talento reconhecido, mas foi infeliz num comentário que fez antes da entrada da banda, que é considerada uma das mais importantes que navegam pela surf music no país. Foi uma tentativa de explicação do porque deles não participarem do Festival no ano passado, mas acabou tornando uma “complicação” o que ele verbalizou.
Imaginem vocês, no lugar de um dos três integrantes da banda, Rex (bateria) , Morotó(Guitarra) e CH(baixo ), atrás das pomposas cortinas do Teatro Castro Alves esperando ansiosamente pelo momento do show e um dos apresentadores do Festival informando que eles haviam ficados de fora no ano anterior por “falta de harmonia em suas músicas”, logo após explicou que foi um preconceito de sua parte e que depois os ouvindo com mais calma corrigiu isso inserindo os mesmos esse ano na lista dos músicos.
Foi, no mínimo, constrangedor encontrar depois os integrantes da banda no foyer do teatro e ouvir dos mesmos que ficaram desapontados com o comentário, que em vez de incentivá-los num momento crítico, só fez deixa-los mais nervosos. Não sou músico, nem crítico musical, mais acredito no bom senso e ainda acho que esse deve imperar em situações como essa. Ficou feio para Zeca, ter chamado os “Fabulosos Retrofoguetes” e depois parecer se desculpar por sua escolha.
Retrofoguetes é a formação pós “The Dead Billies”(Uma das bandas de rock mais cultuadas da Bahia), sem vocal, o som é prioritariamente instrumental, com influencias do psychobilly, Flash Gordon, Galaxy Rangers, música tradicional mexicana, HQ, boleros, Robô Gigante, rockabilly, Isaac Asimov e Perry Rhodan. Estão com o primeiro CD à venda pela Monstro discos, com produção de André T. e Nancyta. Após o show do TCA poucos exemplares restaram no balcão do foyer, e ouvi comentários dos vendedores que aquela havia sido uma das melhores noites.
O show foi maravilhoso, iluminação e som impecáveis, pena que o tempo foi curto, tocaram as músicas do disco recém lançado. Não é como as quase três horas que costumam fazer em seus shows ordinários, com Set lists de fazer inveja, pelo tamanho e qualidade, incluindo até o hino do Senhor do Bonfim. Mas ouvir os Retrofoguetes no TCA teve um gostinho especial…

Capa do CD: Ativar Retrofoguetes!

Set list de um dos shows dos Retros com 38 músicas
Zeca, Fernando e David Lynch
Janeiro 9, 2005

Zeca freitas
Primeiro post do ano, uma homenagem…
Podem dizer que sou filho coruja, mas simplesmente sou super fã de meu pai(Fernando de Oliveira) em termos de poesia. Um grande maestro aqui de Salvador lançou seu primeiro disco em 30 anos de carreira e meu pai participa do mesmo com algumas letras. Tem duas, que são verdadeiras homenagens ao Cinema, ou melhor, à David Lynch: “Veludo Azul” e “Cidade dos Sonhos”. O título do disco é “Zeca Freitas”, nome do maestro, que tenta resumir em 13 músicas toda sua carreira, claro que é pouco pra muito talento.
Zeca é do Rio de Janeiro, e na década de 70 largou a medicina pra fazer música. Procurou uma escola no Brasil e acabou encontrando a escola de Música da UFBA, onde se formou. Depois, passou um período nos Estados Unidos e voltou ao Rio de Janeiro, mas terminou fincando as raízes em Salvador. Foi se envolvendo com música instrumental, desde então trabalha como saxofonista, pianista, compositor, arranjador e produtor.
Espero muitos discos do grande Zeca, e melhor ainda se a parceria com o velho continue por bastante tempo.

“Veludo Azul”
Não quero mais pensar mais nesse amor
prefiro ouvir a voz do coração
se o sentimento terminou
porque lembrar me traz tanta emoção
Não posso compreender
porque tanto querer
não pôde resistir
à vida, que levou
os sonhos e afastou
por fim você de mim,
mas nunca nos deixou
acreditar no fim
qual foi a ilusão:
o amor ou seu final?
eu não sei
Foi tanta dor lesando o prazer
e tantas brigas gelando a paixão…
um grande amor lutando pra ser
maior que a mágoa em nosso coração
Pena que foi pouco tanto amor
pra vencer a dor
a enorme solidão de cada um.
só gente feito eu
talvez como você
é louca pra sonhar
o amor como Veludo Azul
Copyright by Fernando de Oliveira

“Cidade dos Sonhos”
Chego a cidade dos sonhos
andando na mata, esquecida de mim
não sei mais quem sou, de onde vim,
que faço, aonde vou, a noite passou
e o dia não vem, quem chama por mim,
onde estou? Ah…
Durmo em jardins perfumados,
Acordo sou outra que gosta de mim
quem falou? Que cheiro ela tem,
Quem lhe disse onde estou? Ah…
Busco a mulher esquecida na casa que sou
pois tudo sou eu,
tudo sou, o corpo estendido na cama foi meu
esse grito abafado, que arranco das trevas,
eternas de mim, ninguém vai ouvir
pois a dor não dá pra dividir,
só dá pra sentir. Ah…
Chego à cidade dos sonhos:
Olinda , Recife, talvez Salvador
bem que eu sei
quem sou, de onde vim,
o quanto passou, que resto ficou
e a soma final, o ser que hoje sou.
mas que ser?!
Despedaçada boneca na guerra total
em que tornaram a vida do homem civil.
Mas convenhamos que agora, aprendi afinal
que posso ser isso tudo e ser eu no final.
Copyright by Fernando de Oliveira
Andrew Bird’s e Galway Kinnell
Dezembro 29, 2004

“Oh! The Grandeur.”
Uma música chamada “Wait” do disco “Oh! The Grandeur” do Andrew Bird’s Bowl of Fire, tem me tocado bastante e fui pesquisar sobre a mesma. Descobri que na verdade se trata de um poema musicado, o autor se chama Galway Kinnell. Poeta norte-americano contemporâneo, nascido em 1927, em Providence. Ganhou o prêmio “Pulitzer” em 1982 com seus “Poemas selecionados”. Hoje ele ensina na Universidade de Nova York. Tô pesquisando agora sobre seus outros trabalhos, aí embaixo está a letra de “Wait:
Wait.
Wait, don’t go too early
you’re tired but everyone’s tired
but no one is tired enough
only wait a while and listen
music of hair
music of pain
music of looms weaving all our loves again
be there to hear it
hair will become interesting
pain will become interesting
second-hand gloves
will become lovely again
wait
wait for now
distrust everything if you have
to
but trust the hours
haven’t they carried you everywhere up to now

Galway Kinnell