Alma nostálgica

Agosto 29, 2007

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Acabo de dirigir meu primeiro filme de ficção , um curta metragem, onde pude trabalhar com todos os departamentos que um filme tradicional de longa metragem se utiliza, desde as discussões à respeito do orçamento e preparação de elenco até a pós produção e mixagem de som.

Começo a entender melhor quando em livros de entrevistas com diretores de cinema sempre havia uma frase onde explicitavam que uma das coisas essenciais em qualquer obra cinematográfica era não deixar que as circunstancias da produção desvirtuassem os conceitos artísticos e estéticos que o diretor havia proposto no início. Essa necessidade de manter “as rédeas” conceituais durante a produção se transforma numa batalha do diretor, e acaba gerando um outro “filme”, como foi demonstrado em A Noite Americana de Truffaut ou Carmen de Godard.

São muitos fatores que podem desvirtuar uma obra ou tranformá-la em algo melhor, desde a falta de recursos financeiros(cinema ainda é uma arte muito dispendiosa), até desentendimentos entre a equipe. Quanto aos recursos, às vezes a falta deste resulta em obras maravilhosas em termos de criatividade, fazendo com que o mínimo se transforme em mais, como exemplo recente temos o filme Carreiras, de Domingos Oliveira, onde a necessidade em filmar extrapola qualquer problema financeiro, dando origem a um filme com vigor estético e qualidade dramática. “Baixo orçamento e alto astral”, como o próprio afirma nos créditos. O oposto também acontece, como o que decorreu em Missão Impossível 3, de J.J. Abrams, onde contavam com cifras que extrapolam oito zeros, resultando num filme frouxo e insípido.

Pessoas, seres de diferentes criações, filosofias, que se reúnem para realizar algo único, sendo que apenas um deles irá reponder depois pelo filme, o diretor. Cada momento dessa luta do diretor em fazer aquele filme que tinha imaginado desde o início, junto com os momentos da produção em viabilizar essa proposta, se transformam em “planos” de um outro filme. Todos esses “planos” somados se transformam em “seqüências”, algumas tensas, outras tristes, outras alegres… Quando unidas resultam num “filme memória” de todo o processo, e que só será lembrado por quem participou da produção.

É desse “outro filme”, construído a partir dos momentos da produção que o filme refletirá. O que resulta impresso na película depois de todo o período da produção é a soma do que o diretor imaginou desde o início(na melhor das hipóteses) com o “filme” que está fixado na memória da equipe. Sendo que enquanto o primeiro é o “corpo”, o segundo, é a “alma” da obra.

A saudade desse outro “filme” é uma das coisas que nos impulsiona a filmar novamente.

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