Entrou na rede

Setembro 30, 2006

 

Já está no ar o site do filme Eu me lembro, longa-metragem do soteropolitano Edgard Navarro. Nele, você confere o trailer, fotos e entrevistas.

Eu Me Lembro é um filme-memória da geração que foi criança nos anos 50 e encontrou a maturidade na década de 70. O filme acompanha, pelo olhar do seu protagonista e narrador em off, o descortinar de um mundo de mitos católicos, tabus da adolescência, a negação do pai; enfim, todas as demandas enfrentadas até se chegar à idade adulta.

Novembro de 2005 foi a primeira apresentação pública do longa, no 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme ganhou sete prêmios: Melhor Filme, Direção, Roteiro, Atriz (Arly Arnaud), Ator Coadjuvante (Fernando Neves), Atriz Coadjuvante (Valderez Freitas Teixeira) e Prêmio da Crítica.

CineRemix

Setembro 30, 2006

 

Com o objetivo de proporcionar à cidade de Salvador um espaço de reflexão e discussão em torno do audiovisual, o coletivo CineRemix se propõe a realizar, entre os dias 16 e 27 de outubro de 2006, das 19h às 22h, na FSBA, o Curso Cinema Documental – História e Prática, ministrado pelo professor espanhol Dani Jariod.

Através da análise de filmes, desde os irmão Lumiére até reportagens televisivas, o curso fará uma apresentação de técnicas de elaboração de projetos e desenvolvimento de roteiros documentais.

Veja projeto completo em www.cineremix.com

Período: 16 a 27/out 2006

Dias: segunda a sexta

Horários: das 18:30h às 21:30 h

Local: Faculdade Social da Bahia
Rua Macapá, Ondina, Salvador – BA

As aulas serão ministradas em espanhol e contarão com apoio de intérprete.

INSCRIÇÕES ABERTAS
As inscrições estão abertas e poderão ser feitas de segunda a sexta, das 9h às 18h, na Santo Forte Imagem & Conteúdo, com Amadeu Alban
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Rua da Mouraria, nº 43 – Nazaré

Fones: (71) 3322-1743 / 8822-6370

info@cineremix.com

Fotograma

Setembro 21, 2006

Cinema, Aspirinas e Urubus, Brasil, 2005

Tá em cima da hora, mas merece ser publicado:

I Mostra de vídeos dos alunos do Curso de Cinema e Vídeo da FTC (Vídeos Premiados)

Desde a criação do curso, no ano de 2001, vídeos realizados pelos alunos obtiveram, até o momento, 43 prêmios em diversas mostras, festivais e concursos brasileiros e estrangeiros.

Esta I Mostra inicia o projeto de exibição pública dos melhores vídeos dos alunos, começando por seus trabalhos premiados.

Local: Cinema do Museu (SaladeArte, corredor da Vitória)
Data: 21 de setembro (quinta-feira), às 20:00h.  
Entrada franca

Programa: 1 – “Solidão a Dois” de Caco Monteiro

  • Melhor Ficção da Mostra FORCINE do Arraial Cine Fest, 2006. – Ficção (7′)

2 – “Onde está Lynch?” de Fábio Espírito Santo, Ana Vitória Araújo, Daniela Haerter.

  • Melhor Edição no I Santa Maria Cinema e Vídeo RS-2002;
  • Melhor Vídeo Experimental no VI Festival Universitário de Vídeo do Rio de Janeiro, 2002, RJ; – Ficção (5′)

3 – “Maniçoba” de Paulo Hermida

  • Expressão Cultural no 10° Festival Brasileiro de Cinema Universitário 2005, Rio de Janeiro;
  • Melhor vídeo eleito pela comissão julgadora no III Cine Capão-2005, Bahia;
  • Melhor vídeo eleito pelo júri popular no III Cine Capão-2005, Bahia;
  • Premio Ensaio Etnográfico no Primeiro festival de fotografias e filmes etnográficos de Alagoas 2005. – Documentário (9′)

4 – “A Sentinela” de Michelle de Paula

  • Prêmio Oficinando na Mostra do Filme Livre 2006, Rio de Janeiro;
  • Destaque em Retrato da Realidade Nacional na 11ª edição do Festival Brasileiro de Cinema Universitário, 2006, RJ;
  • Destaque Escolha de Público no 1o Festival de Cinema Digital de Cajamar, 2006, SP. – Documentário (21′)

5 – “Bitola Cabeça Super-8″ de Ana Vitória Araújo e Gabriela Barreto

  • Melhor Documentário 12o Vitória Cine Vídeo – 2005;
  • Melhor Grito Cine EsquemaNovo, Rs, 2006;
  • Destaque em Expressão Cultural na 11ª edição do Festival Brasileiro de Cinema Universitário, 2006, RJ. – Documentário (20′)

6 – “Cidade da Bahia” de Tatiana Reuter Ferreira

  • Prêmio Coleção Cidades do mundo – Primeiro Olhar – Visions/Paris 2005. – Documentário (26′)

7 - “Subtitled (legenda)” de Alexandre Guena

  • Contribuição Artística no 9o Festival Brasileiro de Cinema Universitário 2004, Rio de Janeiro. – Experimental (5′)

8 – “O fim do homem cordial” de Daniel Lisboa

  • Melhor Vídeo do 8o Festival Nacional A Imagem em 5 minutos, 2004, Bahia;
  • Melhor Vídeo do Vídeo Brasil, 2005, São Paulo;
  • 2o lugar no I Festival MEC de Filmes e Vídeos Universitários, 2006, Brasília; Prêmio Especial de Melhor Vídeo Digital Nordestino (Juri Oficial) no 10°Cine PE – Festival do Audiovisual, Recife, 2006. – Experimental (3′)

9 – “Sete Sete” de Alexandre Guena

  • Galgo de Ouro no XIV Gramado Cine Vídeo 2006 (Categoria Universitário Brasileiro – Gênero Videoclipe). – (5′)

10 – “Ficou legal… cinema” de João Caçapava

  • Menção Honrosa pela Edição no 9o Festival Brasileiro de Cinema Universitário 2004, Rio de Janeiro. – Experimental (3′)

Duração aproximada: 1 hora e 40 minutos.

A dama na água

Setembro 12, 2006

No Cinema 

Lady in the Water, EUA, 2006

Na primeira cena de A dama na água, vemos um dos personagens tentando matar algo que está infernizando uma família, sendo que o espectador não vê o “monstro” causador de tanta agonia. A sua concentração é tamanha que o que deveria ser um pequeno inseto ganha contornos perigosos e complexos. Essa cena sintetiza o que diretor M. Night Shyamalan passa com seu novo filme, que parece simples mas que no fundo traz algumas experiências enriquecedoras, tanto na forma de narrar quanto na trama. Pena que algumas manias cinematográficas terminam ofuscando o brilho dessas qualidades.

Quem aparece “salvando” a família é Cleveland Heep, zelador de um condomínio predial, onde residem moradores variados. Numa noite é descoberta na piscina do condomínio uma “narf” chamada Story, ela é um ser sobrenatural do mundo subaquático que aparece para ajudar um ser humano escolhido, como afirma animação que aparece junto com os créditos iniciais. Com sua chegada, todos que entram em contato com ela acabam se transformando, mas ela não vem sozinha, traz consigo monstros que tentam impedi-la de voltar ao seu mundo.

Após a apresentação dos personagens e do ambiente, a trama começa a se articular justamente depois do protagonista ficar inconsciente e desmaiar, inserindo um caráter de devaneio, de subconsciente, que será pontuado posteriormente. Shyamalan tem uma característica marcante, criar ambientes originais e intimistas, onde mais esconde do que mostra, caminhando com a ajuda da fantasia do espectador. A dama na água é seu filme mais arriscado, no sentido de que é o que ele mais se utiliza do suporte da palavra, sobrepondo a imagem para contar sua história. Isso está intrinsecamente ligado a questão de se tratar de uma história de ninar, subtítulo do filme que ele se preocupou em frisar, mas que termina exigindo do espectador uma maior capacidade de entrar no universo fantástico que está propondo.

Há uma singularidade que ele explorou nessa obra, até determinado momento do filme somos direcionados para um caminho no reconhecimento dos personagens que na verdade não é o que permanecerá até o fim. Isso não seria nada de novo já que em O sexto sentido(The sixth sense, 1999), ele explorou a trama de forma que revertesse as espectativas no final, e nos deixou em constante dúvida no seu Corpo Fechado(Unbreakable, 2000), mas na construção dramática desse filme há uma clara divisão em duas partes e o caminho da primeira é reforçado pela afirmação de um dos personagens no próprio filme, o mais novo morador do condomínio, um crítico de cinema.

Shyamalan parece fazer um “primeiro filme” só para tocar no ponto de encontro entre críticos de cinema e o cineasta. Dessa forma, é criado todo um ambiente onde começam a se configurar atributos para cada personagem, onde os espectadores iniciam uma identificação com cada um, e que ele reforça com as palavras do crítico. Um verdadeiro exercício de metalinguagem do drama. Até o momento em que se reverte a situação, e coloca o crítico na posição de arrogante(o personagem já é apresentado caricaturamente dessa maneira) por sua suposição errada e muda o rumo dos acontecimentos. Seguindo essa linha de raciocínio, começa um “segundo filme”, onde procura demonstrar que não há respostas prontas, que o melhor caminho é o da fantasia. O exemplo disso está na cena em que um garoto descobre a “verdade” da história olhando para caixas de cereais dentro de um armário. O mais interessante é que quando ocorre essa cena estão vários personagens unidos esperando a resposta do garoto, e após ele decodificar as caixas de “sucrilhos” vemos o plano de uma pessoa dormindo do outro lado da sala. Sonho e cinema, fantasia e sala escura. Shyamalan afirma aí que não adianta procurar respostas, é só fantasia e devaneio. E assim caminha com sutileza para o momento de iluminação de um dos personagens, é a fantasia que o faz se encontrar consigo mesmo, ela cura e o faz curar novamente, o que ele havia esquecido e deixado de acreditar.

É importante frisar também que esse é o filme em que o próprio diretor mais aparece em cenas, como o personagem de um escritor que intitula como Livro de receitas sua “obra dialética” não terminada, o que se relaciona com a cena inicial, onde ele manipula significados. Aparecendo em seu próprio filme também possibilita o diretor fazer artimanhas, como no momento em que o personagem que ele está interpretando é apresentado a “narf”, que possui o nome de Story(estória), e depois do encontro o escritor informa que ficou com idéias mais claras. Numa alusão ao momento em que o próprio Shyamalan como roteirista se viu encontrando pela primeira vez com sua criação, e como ela o ajudou a construir a trama. Além das possibilidades do nome Story, já que pode-se acreditar ou não na estória que o diretor está propondo. Dessa forma ele acabou fazendo seu filme menos acessível para o público geral e mais interessante para os críticos.

Há aspectos infantis que acabam apagando um pouco o brilhantismo das experimentações ditas acima, na pura demonstração de domínio da técnica de assustar a platéia em alguns momentos, sem fins na narrativa ou na fábula. Uma das coisas que acontece menos em Corpo Fechado, mas em quase todos seus outros filmes. Junta-se a isso a caricatura do crítico de cinema, ambos soando desnecessários. Ao terminar a sessão, o balanço que fazemos é de um filme que não chegou ao seu mérito máximo por algumas problemas que saltam na tela, da mesma forma que suas qualidades.

Elenco: Paul Giamatti, Bryce Dallas Howard, Noah Gray-Cabey, Jessica Graham, Cindy Cheung, Bob Balaban, Sarita Choudhury, Brandon Cook, Mary Beth Hurt, Freddy Rodriguez, M. Night Shyamalan, Brian Steele, Jeffre Wright / Direção e roteiro: M. Night Shyamalan / Produção: Sam Mercer e M. Night Shyamalan / Fotografia: Christopher Doyle / Música: James Newton Howard / Edição: Barbara Tulliver / Desenho de Produção: Martin Shields / Figurino: Betsy Heimann / Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / Duração: 110 minutos / Site Oficial: A dama na água

Transamérica

Setembro 4, 2006

No Cinema 

Transamerica, EUA, 2005

A estréia de Duncan Tucker como diretor de longa metragem, o mesmo já tinha dirigido um curta em 2000(The moutain king), utiliza a leveza na forma de narrar para capturar o espectador e poder tratar de uma história não tão usual.

Bree Osbourne, um transexual de Los Angeles, se prepara para uma operação de mudança de sexo, mas recebe um telefonema de um jovem a procura do pai. Bree percebe que ele deve ter sido o resultado de um relacionamento no passado, quando ainda era homem. Ele vai em busca do rapaz mas faz segredo sobre sua verdadeira identidade.

A partir daí, o filme caminha numa direção de busca interior dos personagens, e também do país. Ao mesmo tempo que os conhecemos e acompanhamos suas transformações, fazemos um passeio cruzando de carro os EUA (Nova York - Los Angeles). Transamerica é na verdade um road movie que usa a comédia para falar de um tema sério, do diálogo para flertar com as superproduções hollywoodianas e da geografia para fazer referência ao clássico cinema western norte americano.

A busca por um passado materializado no filho está no tema de alguns filmes do momento, Jim Jarmusch fez Flores Partidas (2005) e Win Wenders o Estrela Solitária (2006). Dessa vez foi Duncan Tucker, inserindo um pai que deseja expurgar sua masculinidade de forma definitiva. Com uma performance marcante a atriz Felicity Huffman conseguiu interpretar um personagem extremamente complexo com humor em situações críticas, além de ser responsável por uma das cenas mais comoventes.

Com diálogos afiados e inteligentes, Transamérica brinca com outras produções, como a conversa em que afirmam que O Senhor dos Anéis é um filme gay, ou sobre a maneira que os caubóis usam o chapéu e seus significados.

 Em quase todo filme, sentimos uma sinceridade com o espectador, como se fôssemos cúmplices daqueles acontecimentos, além de utilizar um terreno já bastante explorado em outras produções, como o interior e o Oeste dos EUA, só que inserindo elementos originais. Duncan Tucker brinca com referências pré estabelecidas pelos norte-americanos, e faz uma sátira ao seu próprio cinema.

Se a forma tivesse sido mais bem trabalhada, como o conteúdo,  passaria para um patamar acima. Mesmo assim, Transamérica continua muito interessante, principalmente porque teve um custo baixo, demonstrando que os orçamentos milionários não são o principal fator para uma obra consistente. Talvez justamente isso tenha gerado sua franqueza.

Elenco: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Fionnula Flanagan, Elisabeth Peña, Graham Greene, Burt Young, Carrie Preston, Verida Evans, Jon Budinoff, Raynor Schenie, Bianca Leigh, Danny Burstein / Direção e roteiro: Duncan Tucker / Produção: Rene Bastian, Sebastian Dungan e Linda Moran / Fotografia: Stephen Kazmierski / Música: David Mansfield / Edição: Pam Wise / Desenho de Produção: Mark White / Figurino: Danny Glicker / Duração: 103 minutos /  Site Oficial: www.transamerica-movie.com