2001:Uma odisséia no espaço

agosto 25, 2006

No cinema

Análise de 2001:UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

Stanley Kubrick. 2001:A Space Odyssey, EUA, REINO UNIDO, 1968

por Cesar Fernando de Oliveira

Poesia visual

Imaginemos um filme de Ficção Científica: Computadores inteligentes, naves espaciais, andróides, seres irreais, futuro! Mas não é assim que começa um dos melhores filmes sobre esse tema dos últimos tempos. 2001: Uma Odisséia no Espaço, criação do diretor e co-roteirista Stanley Kubrick com o escritor e co-roteirista Arthur C.Clark, começa com imagens altamente reflexivas. São imagens do passado, e de um passado bem distante, aproximadamente quatro milhões de anos atrás. “Será que eu entrei na sala errada?”, essa deve ter sido alguma das perguntas que os espectadores fizeram ao começar a assistir esse filme pela primeira vez, já que durante aproximadamente vinte minutos assistiram a pré-história, filmada com uma realidade assombrosa, a tal ponto de especularem que os seres usados no início do filme seriam macacos reais. Um dos mitos dessa obra-prima.

O primeiro momento do filme é de total estranhamento, são quase três minutos (2’56’’) de pura banda sonora sem nenhuma imagem. A tela escura e os sons abstratos e sombrios da música chamam a atenção dos espectadores, exacerbando a curiosidade, além de criar uma ambiência que tem a ver com o que é mostrado a seguir: A imagem do espaço, demonstrando a Terra, a lua crescente e o sol, ao som de “Assim falou Zarathustra” de Richard Strauss, é um momento especial, como a música, feita em referência a obra de Niestche, denotando a previsão de um processo evolutivo. A música tem um papel importantíssimo nesse filme, ela não é usada somente como acompanhamento das cenas, quase toda clássica, ela exerce significados que complementam as imagens. A valsa de Johan Strauss, “Danúbio Azul”, é explorada ao extremo, e casa perfeitamente com as imagens deslizantes e circulares do espaço, os objetos estão em constante movimento(em órbita) e a música reforça isso, seu caráter crescente evoca expansão e evolução. “O Ballet” de Khatchaturian faz as naves espaciais dançarem. Além das músicas de Giorgi Ligeti que completam o significado da viagem através do “portal estelar” (“Lux Aeterna”), com seus sons psicodélicos e da chegada no quarto em estilo vitoriano ao final do filme(“Réquiem”), com ruídos de gotas d’água e vozes irreconhecíveis. Transferindo-nos completamente para aqueles ambientes, estranhos e insólitos.

Após os créditos iniciais que aparecem na tela na cadência da música, vemos uma imagem do nascer de um dia, com sons de grilos e pássaros, assistimos “A aurora do homem”. São imagens de um deserto com seres pré-históricos dividindo o espaço físico, é na verdade um retorno ao nosso passado, aos nossos ancestrais . Percebe-se nas primeiras imagens a guerra entre as variadas espécies, macacos com tigres e antas. Há elipses temporais criadas através de “fades” para significar a passagem de tempo. Logo após acompanhamos a guerra entre seres da mesma espécie, os macacos, principalmente por localidades e água. Um dos macacos atravessa uma poça para demarcar seu domínio sobre a mesma. Importante frisar que nessas cenas nota-se um cuidado com a fotografia, para que sempre houvesse um facho de luz em direção da água, demonstrando sua riqueza e seu valor, além de direcionar nosso olhar. O tempo passa, os macacos começam a brigar entre si por comida e por espaço nas cavernas, onde se protegiam à noite. Sempre os que não conseguiam espaço ficavam grunhindo fora das cavernas, enquanto os de dentro respondiam com grunhidos mais altos. É mostrados um pôr do sol e a lua crescente, como a que surge no alinhamento no início do filme, logo após vemos um macaco acordando e se assustando com o que vê, que está fora do quadro, começa a grunhir e propositadamente acorda os outros, só depois disso é demonstrado aos espectadores o monólito bem próximo a eles, iluminado com um facho de luz. Uma trilha sonora sempre acompanha a aparição do monólito durante todo o filme, é um som crescente, um conjunto de ruídos, vozes, com sons agudos. Os macacos estranham aquele objeto e se aproximam para verificar, tocando, cheirando, percebem que é uma superfície lisa com quinas, diferente das rochas grosseiras que estão acostumados a escalar. É inserido um plano, mostrando a Lua e o sol alinhados do ponto de vista da terra, mais precisamente do monólito, reforçando a idéia da temporalidade dos acontecimentos, o monólito surge no momento de lua crescente, aquele descrito através das imagens no início do filme, significando período de evolução.

Após essa “aparição”, passam alguns dias e um grupo de macacos acha uma ossada de anta, a maioria não se interessa, mas um dos macacos permanece olhando para os ossos, ele senta-se, é mostrado um plano aproximado, vemos somente os ossos e um macaco em contra-plongée (ressaltando sua posição diante da ossada, além de significar crescimento intelectual), ele os olha como se tentasse decifrar um enigma, faz um movimento com a cabeça como se estivesse pensando, racionalizando algo. Nesse instante é introduzido novamente o plano do alinhamento visto do monólito e é inserida a música de R.Strauss, “Assim falou Zarathustra”, reforçando ainda mais a questão da temporalidade e da evolução. O macaco pega um osso entre vários, gira como um semicírculo(lua crescente) e bate devagar contra os demais, ele percebe a natureza do osso, é mais resistente que os demais, começa a quebrar os outros ossos, para segurar o osso com as duas mãos pela primeira vez sustenta o corpo somente nas duas patas traseiras, quebra o crânio da ossada, há um corte para uma anta caindo morta. Destroça o crânio, vemos outra anta caindo, demonstrando a possibilidade de matar quantas quisesse. A face do macaco mostra seu momento de euforia, como num grito de “eureka” ele lança o osso pra cima. Após isso vemos uma seqüência de planos significativos, um macaco subindo uma pequena ladeira como se tentasse se esconder, segurando um osso e comendo um pedaço de carne, depois já vemos outro plano, onde vários macacos comem carne e o que estava com o osso numa posição superior em cima de uma rocha, representando liderança. Depois um último corte, a cena onde vemos macacos bem pequenos sentados e brincando com ossos, denotando a passagem de conhecimento para as novas gerações. Algo aconteceu: o conhecimento. E foi inserido no cotidiano desses seres com momento demarcado: após a aparição do monólito, com a lua crescente.

Uma imagem mostra mais um pôr do sol, que se olhado com atenção demonstra que a lua, antes vista sempre crescente, agora está cheia, nova, denotando os momentos de mudança que virão a seguir. Os macacos que foram expulsos voltam de encontro à poça d’água do início do filme. Todos com ossos nas mãos, nota-se que somente esse grupo sustenta o corpo nos dois pés, o outro grupo não, agora o raio de luz que ficava sob a poça está do lado dos que tem os ossos nas mãos, demonstrando o poder da “arma” descoberta, o osso, o conhecimento. Não se contentando em obter comida eles também querem água e espaço físico, assim matam um dos outros macacos do grupo oposto com os ossos. Na euforia da vitória um osso é jogado pra cima, que agora gira subindo, formando um círculo(lua nova). O osso sobe no sentido anti- horário e desce no sentido horário, um índice para o futuro que virá. Acontece aqui o maior corte temporal da história do cinema, o osso que caía, é cortada para uma nave orbitando a terra(num formato parecido) ao som da valsa de J.Strauss.

A montagem do filme tem características peculiares. Não há fusões, o corte seco é o mais utilizado, contrapondo planos às vezes não contínuos, usado para gerar significados e não simplesmente para contar linearmente a história. Quase sem diálogos, o filme é construído a partir da justaposição das imagens, alguns planos são longos e lentos, principalmente quando são mostradas imagens do espaço. É uma maneira de construir um clima para essas imagens, já que, antes desse ainda não havia nenhum filme que retratasse com fidelidade como se portava os objetos no espaço, a relação da não gravidade e do eterno movimento foi explorada com precisão. Por tratar de elementos que não existiam na época é preciso de várias cenas descritivas, em alguns momentos parecemos assistir um documentário, como no processo do reconhecimento de voz ou nos longos planos demonstrando o interior das naves espaciais. Quando ocorrem diálogos, como os que acontecem na Estação, são cheios de significados, como quando Heywood encontra outras pessoas conversando, eles falam em Russo( além de seus nomes: Dra. Stretyneva, Dr. Andrei Smyslov), fica intrínseco aí uma discussão sobre a corrida espacial entre Norte-americanos e Russos que acontecia na época do filme. Mas quem teria chegado primeiro? No diálogo posterior, isso é demonstrado, já que somente Heywood detém informações sobre o que acontece na Lua, explicitando quem está no comando. Interessante também é a mensagem intertextual que existe numa sala por trás das pessoas que conversam na estação, uma palavra escrita em letras maiúsculas: HILTON, que é uma referência a tradicional rede de hotéis norte-americana, que possui sedes em vários locais do mundo. Há também uma cena interessante, quando a nave de Heywood está há caminho da Lua, alguns tripulantes assistem a imagens de lutas de sumô em telas widescreen, como referência a disputa da chegada na mesma. Além da clássica referência do supercomputador HAL, suas três letras precedem as letras de IBM, que é uma das maiores empresas de informática dos EUA.

É interessante notar como a fotografia dialoga com a montagem, como nas composições utilizadas nas cenas do espaço, a maioria dos objetos tem aspectos circulares e giram. Na cena que Heywood chega na estação, o elevador é circular, o movimento que a câmera faz é num “travelling” circular e a terra ao fundo nas janelas (tudo gira). O uso das cores também é marcante, o azul e o vermelho, são as mais representativas. O vermelho sempre está associado ao perigo ou ao retorno ao passado, como às imagens avermelhadas do início do filme, nas paisagens desérticas ou ao “olho” de HAL, que se volta contra os seres humanos. O azul está relacionando com o futuro e esperança, como na vista da terra do espaço ou na “Criança estrela” do final do filme além de alguns botões de dentro da nave. Os “flares” e os reflexos são muito bem utilizados, o primeiro é marcante nas cenas em que aparecem o monólito, dando um tom mágico. E o segundo, na parte frontal do capacete de David, sob seu rosto. Principalmente quando reflete HAL, denotando um significado de unicidade entre os dois, existe algo de David em HAL e vice-versa .

A fotografia nos remete aos efeitos especiais, concebidos e dirigidos por Kubrick. O fotógrafo que existia antes de se tornar diretor de cinema aflorou nesse filme, que abusou das perspectivas para criar profundidade, iluminação impecável e angulações indescritíveis. Os efeitos especiais foi o item que o fez ganhar o único Oscar dessa obra. O uso de cenários gigantescos e em tamanhos reais ou com possibilidades de movimentos antes nunca executados geraram imagens surpreendentes. As experimentações visuais, como a viagem através do “Portal estelar” ou as imagens de Júpiter, com cores vibrantes, são marcas indeléveis nesse filme. Considerando que na época não existiam computadores para criar elementos virtuais, o filme demonstra profundo engajamento em técnicas de superposição e de trabalho com miniaturas e maquetes.

O filme tem uma característica peculiar, seus protagonistas somente aparecem depois dos primeiros cinqüenta minutos de filme, logo após a segunda aparição do monólito na Lua, quando esse envia um sinal para Júpiter. Há sempre uma questão de aparição x evolução, o monólito está na lua sinalizando um acontecimento do conhecimento, intelectual, é como se representasse nossa evolução. Cada vez querendo ir mais longe.

David Bowman(Keir Dulela) e HAL (voz de Douglas Rain ) são os personagens principais. As suas características são quase invertidas propositadamente. Bowman é tranqüilo, seguro e prático, já HAL, que é a máquina, é curioso, orgulhoso, mentiroso e ambicioso. Ele que foi criado pelo homem, incorpora seus defeitos e volta-se contra o próprio homem, como o macaco no início do filme que não admitiu ter somente a comida, e foi de encontro aos seus semelhantes, matando-os para tomar-lhes água e espaço.
Bowman e HAL surgem na Viagem a Júpiter, a bordo da nave Discovery, que possui uma semelhança a um espermatozóide, semelhança que nos remete a imagem final do filme, a gestação da “Criança estrela”. A aparição dessa nave e dos tripulantes representam um segundo momento do filme, nota-se isso pois até a trilha sonora é distinta. A valsa de J. Strauss dá lugar ao “Ballet” de Khatchaturian. Passa-se a ouvir ruídos constantes de ventoinhas, como se fosse o coração de HAL, além da respiração de Bowman e o silêncio, usado depois da morte do colega de Bowman e depois do assassinato dos outros tripulantes que estavam hibernando. Depois das mortes as imagens do espaço, fora da Discovery são sempre em silêncio, representado um luto às ações de HAL.

HAL é tudo aquilo que Bowman não quer mais ser, e pode matá-lo a qualquer momento. Assim o primeiro é eliminado, numa das cenas mais marcantes do filme, enquanto suas placas do centro lógico de memória são retiradas, ele diz “minha consciência está se esvaindo”, “eu posso sentir”, e começa a cantar uma música que seu construtor o havia ensinado, que possui frases do tipo, “estou me sentido meio louco…” ressaltando ainda mais a humanização de HAL. Após isso Bowman é “premiado” com o máximo da evolução, transforma-se em estrela. Isso é uma referência aos escritos de Arhur C. Clarke, que inspiraram a obra. Nos textos, Clarke diz que a quantidade de estrelas no céu é equivalente à quantidade de seres humanos que nasceram e morreram, então é possível que exista uma estrela para cada ser que existiu. Assim, várias pessoas podem ter se tornado estrelas em seu processo evolutivo, e isso será demonstrado em algum momento em sua vida, no filme foi o momento de Bowman.

Kubrick

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18 Respostas to “2001:Uma odisséia no espaço”

  1. Confesso que nunca vi 2001 e do gênio Kubrick eu “só” conheço Spartacus, Laranja Mecânica, O Iluminado, Nascido Para Matar e Eyes Wide Shut… mas quando eu assistir (espero que seja logo) vou ter como base sua reportagem analítica, que ficou muito completa. Parabéns.

  2. Chico said

    Adorei o novo espaço.

  3. Cesar Fernando de Oliveira said

    Valeu Túlio e Chico!

  4. iris said

    Olá!! adorei o novo endereço! estaremos linkando.
    vou ler com mais calma e depois faço um comentário decente ( a altura dos seus textos).

    Beijos!!

  5. Rafael Martins said

    Olá César,
    Adorei sua análise, muito completa, muito inteligente e bem escrita. A respeito do filme, gostaria de dizer que é um filme que requer um certo grau de maturidade do espectador, para que se possa observar toda a genialidade das metáforas de Kubrick, é necessário ainda que se conheça um pouco da teoria da evolução humana. Por causa disso, meu entendimento foi muito superficial na primeira em que assisti.
    Abraços

  6. Daniel said

    Alo pessoal do jornalismo da SATC!! Não copiem essa análise para fazer o trabalho, OK??

  7. Rodrigo Vides Vieira said

    Bom dia!

    Primeiramente, muito obrigado pela análise de 2001. Este filme é realmente intrigante, e o seu texto ajudou-me um pouco a entender a mensagem por trás do show de imagens do filme.

    Porém, aindo fiquei em dúvida quanto a existência do monolito. Na pré-história ficou claro para mim o seu significado de evolução, contudo sua aparição na Lua, mesmo agora após sua explicação, continua vago. Porque o que eu entendi foi que neste estágio a máquina supera o Homem, o que me leva nesta interpretação, a não ter nenhum sentido a criança-estrela no final do filme.
    A forma com que você interpretou o filme, com muito mais propriedade que eu, torna tudo mais claro, e dá sentido da lógica da evolução para o final… porém mesmo assim, o monolito na Lua me intriga.

    Após esta sua análise, outra interpretação que havia lido, algum tempo atrás, e havia descartado, começa a fazer sentido, pois lá o autor enfatizava a nascimento-evolução-morte-renascimento, o que para mim naquele momento teve um caráter ciclico, o que batia de frente ao determinismo de Clark. Agora isto começa a fazer sentido.

    Obrigado mais uma vez pela análise, vou rever o filme mais uma vez agora!
    Se você puder me enviar algum comentário especifico ao monolito e a criança-estrela ficaria muito agradecido!!!

    Abraços deste modesto admirador da maior obra de Kubrick, senão do cinema!

    Rodrigo Vides

    • Guilherme said

      Eu interpretei de outra forma, o monolito na lua era um sinal de que se os seres humanos o encontrassem queria dizer que os mesmos estão mais evoluídos(pois era isso que os “E.T.S” queriam,a raça humana evoluida), depois o homem da um passo ainda maior indo de encontro a Júpiter, e lá da outro passo na evolução, bowman vira uma estrela. Kubrick enche o filme de simbolismos e imagens para dar mais profundidade ao tema, acho que nunca iremos saber de fato tudo que aconteceu no filme, porém da pra criar infinitas hipóteses, dependendo do seu ponto de vista

  8. Rodrigo Vides Vieira said

    Estou adicionando seu site, para poder vasculhar seus outros posts… numa olhada supercial que dei, parece ser tudo muito interessante.

    Você está de parabéns!

  9. Tom said

    Terminei de assisti o filme, mas fiquei com várias duvidas. Agora, vou revê-lo tendo como base sua análise.

  10. André said

    Adorei realmente a analise do filme…

    Não havia me atentado para alguns aspectos do filme..

    Kubrick explora aspectos psicológicos dos filmes de maneira magistral (Alex – Clockwork Orange; Bowman, Hal, 2001)

  11. Bruno said

    As cenas fora da nave (ou seja, no espaço) não têm som porque e um ambiente com VÁCUO. Não tem nada a ver com luto.

  12. Cesar said

    E o que seria um luto, senão um vácuo?

  13. Realmente interessante. Acabei de ver pela primeira vez o filme, confesso que me perdi no significado do monolito. A sua explicação de que o monolito demonstra evolução me deixou intrigado.

    O último monolito então demonstra a evolução de David para uma estrela? Seria isso?

  14. […] também: Análise de CESAR OLIVEIRA – Blog O Espelho. “Poesia Virtual”, é como ele se refere ao […]

  15. Luna said

    Sobre o monolito, eu li que Kubrick fora muito criticado na época pela igreja e os religiosos mais radicais. Contudo, Clark saiu em defesa dizendo que o filme não desmistificava a existência de Deus. Que, na verdade, Deus está no centro da história. Não a imagem antropomórfica de Deus, mas uma definição científica. Deus estava lá, nos primordios da humanidade, levando o conhecimento ao homem primitivo. Reapareceu na Lua para novamente elevar o homem à outro estágio.
    Sobre a criança-estrela. Já fora mencionado aqui, uma outra análise, onde o autor enfatiza o conceito de nascimento-evolução-morte-renascimento. Acredito que o nascimento seja o surgimento do conhecimento, a primeira aparição do monolito; a evolução seja todo o processo que os humanos viveram desde que adquiriram o conhecimento; a morte é retratada pelo HAL, uma criatura que se revolta contra seus próprios criadores, HAL/morte é o fim da evolução, ele representa o último estágio pelo o qual o homem tem que passar para alcançar o renascimento. Renascimento este representado pela criança ao fim do filme. Um ciclo que cada um vive, contado através da história de não apenas um homem, mas de toda a raça humana.

  16. Ótima e minuciosa análise do filme!

    Agora eu gostaria de compartilhar uma outra audição da obra literalmente falando:

    Estes clipes são extrações do filme c/ o audio de parte da 5a Sinfonia de Beethoven, ambos editados por mim depois q tive a curiosidade de ver como ficava a abertura ao som de Beethoven ao invés de Strauss.

    Vale ressaltar q fiz a sincronia sem conhecimento prévio de q tivesse sido feita antes, assim como no disco Echoes do Pink Floyd. O resultado foi tão surpreendente q me pareceu pouco provável ter sido logo eu o 1o a cogitar essa associação, mas nas buscas q fiz não achei até o momento qualquer outra refefência senão as q associam Kubrick/Beethoven ao Laranja Mecânica.

    A sinfonia completa tem pouco + de 30 minutos e TODOS os climas sugeridos pela música convergem p/ ações no filme, fazendo c/ q a sinfonia se repita 4 vezes e meia durante o filme, c/ intervalos de 15 sengundos entre uma e outra.

    Mistérios á parte, tb há de se considerar q o Stanley Kubrick era tão preciosista na 7a Arte q é perfeitamente possível q tenha passado parte dos 5 anos de produção desse filme tentando compassar c/ a sinfonia e resultou nisso. O q não deixa de ser uma maravilha Divina de qualquer forma.

    15 segundos é o tempo entre a vinheta de abertura da MGM e o imponente início do filme ao som de Strauss e o mesmo intervalo regula os outros ciclos de Beethoven em 2001.

    Enfim, espero q gostem, vejam, ouçam e transcendam ;)

    Abraços!

  17. Eric Iglesias said

    Hoje vi o filme pela primeira vez. Ainda não o terminei. Mas pude perceber que há toda uma analogia a mitologia grega. O próprio nome Odisséia, remete a Odisséia de Homero. O filme claramente é dividido em duas partes, onde me parece a primeira a fazer analogia a Ilíada, obra que antecede a Odisséia e a segunda parte refere-se a obra que tem Ulisses como protagonista.

    Tenho que ver mais vezes para refinar minha leitura, pois me parece que 2001: Uma Odisséia no Espaço, não está para Bowman, como a Odisséia de Homero está para Ulisses.

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